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domingo, 12 de julho de 2009

Só aquele que há no outro nos mostra como nós somos


Acabei de escutar esta frase, em um filme, e deve ser de algum grande pensador, que me fez pensar o quanto nós nos encontramos no olhar do outro, no medo do outro, na culpa do outro. Hoje eu vivi uma experiência muito diferente, e pude sentir um sentimento ao mesmo tempo de alívio ao mesmo tempo de necessidade de me proteger, e de repente me peguei comendo emoções. Tinha que resolver um assunto com um ex-namorado, e eu sempre tive dificuldade de resolver algo inacabado, ou melhor dizendo, mal inacabado. Pensei com calma em como resolver da melhor maneira, e marcamos um almoço. Almoçamos, ele pegou algumas poucas coisas dele que ainda estavam comigo -as quais me senti aliviada por vê-las irem embora-, e daí então eu disse que não me sentia bem de ele entrar na minha casa. E essa era a verdade mesmo....mas a algum tempo atrás eu engoliria isso e nunca conseguiria dizer....talvez por não querer magoar, talvez por dificuldade mesmo de me desligar do passado, talvez por motivos que eu até desconheça....mas eu consegui, com calma e um pouco de medo. E depois eu comecei a comer bobagens, nada demais e nem compulsivamente, mas percebi que precisava naquele momento me sentir protegida. Porém o importante pra mim é que eu me peguei mais madura, mais amável comigo e com meus sentimentos, e comendo às claras e não me escondendo de mim mesma. Eu me respeitei, me libertei do passado, e aquela ansiedade de como resolver, e terminar e ainda mais, de me desligar do passado, foi superada por este dia. Eu consegui realizar, e agora me sinto livre para continuar, para viver o futuro e ser feliz. Sim, ainda preciso passar por mais alguns desses testes da vida até não sentir mais a necessidade de comer essas emoções. Hoje já são 34 kilos de peso a menos, e 34.000 fagulhas de alegria a mais. Estou mais calma, aprendendo que sou humana, erro, sofro, sinto, choro, mas que sempre há o amanhã pra continuarmos e acertarmos. Ontem fui a uma festa de aniversário, e me senti uma ´pessoa normal´, para mim é claro. Eu comi docinhos, bolo, e tudo o mais. Me senti confiante. A comida não me domina, no sentido de que não me sinto mais obrigada a contar pontos ou calorias e me vigiar e controlar.....mais uma vez me sinto livre. E é tão bom, e é tão leve, e é tão feliz. Me dá um sentimento de satisfação, aquela felicidade além da felicidade que eu comentei em alguns momentos nesta semana com algumas pessoas. Lutar pelo que queremos, ou termos a coragem de enfrentar nossos medos para lutarmos pela nossa felicidade, saindo da nossa zona de conforto, é muitas vezes uma luta interior, que num primeiro momento pode não trazer aquela alegria dourada, mas no fim do arco-iris há um pote de ouro sim! Acreditem, de coração. Vale a pena ser feliz, vale pena tirarmos nossas máscaras e nos enxergarmos como realmente somos. E podemos começar nos vendo no olhar do outro, que tanto tem a dizer sobre nós!
Um lindo domingo a todos, ah! sexta comprei uma calça 5 manequins menores do que quando comecei.
bjs
Nanny

terça-feira, 9 de junho de 2009

Presentes da vida que ficam para sempre!



E as vésperas do dia dos namorados, o amor vaga pelo ar envolvendo os corações adolescentes. E foi nessa época cor de rosa que a vida me presentou com um momento mágico. Já há mais de um ano sem ter contato com um ex-namorado (ao qual darei o codenome de Luis), que fez parte de um momento muito importante de minha vida, entre os anos de 2006 e 2007, tive notícias via msn e orkut e fiquei sabendo que estaria numa casa de salsa. Mas nesse mesmo dia eu tinha um aniversário, e como o Murph está sempre rodeando nossos pensamentos, eu já disse que ´se desse´eu iria...mas era já num tom de não vai dar. Enfim, fui ao aniver, estava super animado no bar 6:01, e quando já avançava a uma da matina, me deu uns cinco minutos eu eu disse: E se a gente fosse dançar salsa??? E minha amiga me olhou admirada do tipo (Essa louca tirou a salsa da onde a uma da manhã??) Acabamos que fomos, porque bomo boa escorpiana que sou, embuída de alto poder de persuasão, quando eu quero, eu consigo e fomos! Fui preparada pra tudo. Chegar lá e encontrar o Luis com outra, ou outras, pois sabe-se lá a uma da manhã se a coisa tá pegando e quem nessa já tá se garantindo. O pior que poderia acontecer era eu matar a minha vontade de ve-lo novamente e dançarmos salsa com um bando de desconhecidos. Chegamos ao local e eu, vestida de patricinha com olhos de cegatolina (pois imaginem só uma pessoa que usa quase três graus em cada vista, sem óculos a noite) procurei disfarçadamente pelo rapaz. Entramos, caminhamos até os fundos, subimos ao mezanino e descemos as escadas, quando de repente, como num filme da broadway ele me vê ao fim do último degrau: QUE ESPANTO! foi a cara que ele fez. Nos abraçamos, e foi mágico. Sabe quando toca aquela música ao fundo,....fundo do ouvido mesmo, e tudo ao redor para e só existe o que está acontecendo dentro de você?? Pois é nossa música tocou, era a mesma pra mim e pra ele. Ele estava admirado, quando namoramos eu era 30 kilos mais gordinha, e também passou muito tempo da última vez. Acho que nem pra mim e nem pra ele as últimas lembranças foram boas, pois tivemos uma última semana de namoro bem ruim e resolvi terminar. Nem discutimos, simplesmente apertamos o shutdown, e já era! Eu fiquei arrasada sim mas achei que era o melhor, e ele seguiu a vida dele. Voltando ao momento mágico, foi como se esquecessemos tudo o que foi de ruim. Eu vi outro Luis, era muito melhor do que aquele que eu tinha namorado, e ele viu uma Nancy Sensacional. Me senti a verdadeira Megasena, pois ele estava tão feliz, mas tão feliz que me apresentava a todos os amigos dele como a ex-futura-atual namorada. Era uma embriaguez só, mas nem era de alcool era de amor mesmo. Ele me falou tantas coisas sobre mim e tudo o que houve entre nós, que foi um dos momentos mias lindos que já vivi na vida. Pra mim tá eternizado, pois era tanto amor e tanta alegria, como se nada pudesse se abater sobre nós. Ele estava lá, sem máscaras dizendo que eu era uma mulher realmente para se casar. Olha nem sei aqui relatar tudo o que foi dito, só sei que foi coisa de Deus. Todo mundo deveria ter direito a um momento desses na vida. Nos beijamos e abraçamos a noite toda, envolvidos por uma manta de carinho tão macia que chegava a respirar devagar. Tudo isso foi até umas quatro e pouco da manhã. Ele fazia planos, mas eu só queria viver aquele momento, ali, e aquela hora. Ficou de me ligar no dia seguinte. Sim, eu esperei. não , ele não ligou. Mas pra mim foi providencial, pois eu ainda tinha muito daquele filme pra ver na minha mente. E demorei até o fim do dia pra ver tudo, e ainda faltou um pedaço. Minha adrenalina a mil.....sonhei, voei, viajei, vivi o momento além do espaço e do tempo, transcendi. Se ele vai me ligar ainda, ou quando?? eu nem penso sobre isso e acho melhor a vida seguir seu curso. Pois sinceramente acho que a adrenalina dele subiu tanto que ele disse mais do que conseguiria fazer e teve vontade de ir além da onde conseguiria chegar. Só sei que me proporcionou um dos momentos mais inesperados que já vivi, e é isso que vale. E contagiou a todos que estavam lá. Sabe o que é melhor do que ouvir de desconhecidos que você é linda? Você ouvir isso do homem que andou com você de mãos dadas na praia quando você estava recheando um biquini com 30 quilos a mais, e te apresentou aos amigos dele como se você fosse a mulher mais linda do mundo. Isso eu nunca vou esquecer. Ele gostou de mim mais do que eu mesma conseguia gostar!
Entenderam agora porque tudo foi tão especial.Eu realmentte não quero voltar ao passado, mas vamos dizer que isso foi um reconhecimento positivo por tudo e por todos que passaram em minha vida.
Só posso agradecer a Deus por nos ter proporcionado essa linda noite.
Essa fotinho??? Foi o modelito que eu estava usando quando vivi minha noite mágica!
Beijos a todos com 29 kilos de fagulhas de alegria!!!!!

terça-feira, 12 de maio de 2009

O GUARDA-ROUPAS





TEXTO ESCRITO SEMANAS ANTES DA CIRURGIA!

Eu sempre busquei o que ser, o que fazer, ou sendo mais clara, no que me estabilizar, mas nessa minha busca desenfreada, as vezes, descobri que sabia fazer tantas coisas que a questão já não era mais sobre o que eu podia fazer, mas o que será que eu não conseguia fazer.

Quando eu era adolescente, digamos que eu não tinha o dom da beleza, então minha única forma de elogio era em cima do que eu conseguia fazer. Talvez seja uma revelação agora contar para minha irmã o quanto eu a invejava, no alto de sua beleza de olhos verdes e cabelão, sua perfeição escolar, porém eu no alto do meu peso não podia nem saber como ela se sentia. Houve uma fase da vida em que minha irmã e eu, praticamente com dois anos de diferença, éramos duas adolescentes procurando se entender. Mas ela me achava a popular, a adorada pelos primos e tios, a que cozinhava, bordava e tocava saxofone, enquanto ela não conseguiu sair das primeiras aulas, mas tinha um corpão, e o sucesso profissional, eu achava que ela tinha tudo e eu nada. Ainda me lembro de estarmos andando na rua e ela dizendo: -Eu não quero ser conhecida como sendo da família dos gordos! Eu dei risada após a sua colocação, mas acho que no fundo devo ter sentido suas mais profundas discriminações quanto ao estilo de vida que eu levava. Nessa época eu estava só um pouco preocupada com o assunto, mas como eu não conseguia emagrecer mesmo, e não tinha a menor noção do tamanho que eu era, tentava pensar em outras coisas, mas eram tantas coisas que acho que acabava não pensando em nada.

Me lembro que era uma disputa acirrada. Ela tinha os melhores trabalhos, e eu não conseguia passar de dar aulas particulares, ela era excelente aluna, e sempre se destacava. E eu, bom, eu pegava no livro e dormia, pois eu não conseguia entender matemática, e por duas vezes no ginásio, repeti em matemática, pois pra mim, não fazia o menor sentido. Eu era boa em outras coisas, teatro, fazer amigos, e de levar minhas atividades até o fim, enquanto que minha irmã tinha uma tendência a ser fogo de palha com as coisas. Mas com o passar dos anos, eu resolvi ir atrás do porque eu era gorda, e após tratamentos e muita determinação eu cumpri mais uma tarefa com sucesso, emagreci 100kgs, fiz várias cirurgias plásticas e me transformei na senhora perfeita por dentro e por fora.

Naquele momento eu percebi que minha irmã se desesperou, e simplesmente quanto mais eu emagrecia, mais ela engordava, pois não havia lugar para duas vencedoras no primeiro lugar do podium e lógico que nenhuma das duas queria ficar com o segundo lugar. Não me culpo, nem culpo a ela, pois nós duas fomos vítimas da síndrome do guarda-roupa.

Vou ainda estudar mais a fundo, mas penso que o nível da satisfação de uma pessoa é inversamente proporcional ao tamanho do seu guarda-roupa. Ta, eu explico melhor! Quando estamos vivendo plenamente, satisfeitos não sentimos necessidade de juntar qualificações, ou certificados de boa nisso ou naquilo. Resumindo, não temos necessidade de provar nada para ninguém, a não ser que esse alguém sejamos nós mesmos. E eu percebi que eu e minha irmã, passamos a vida somando, somando, somando, tantas coisas simplesmente por termos algum tempo de uma falsa satisfação, e depois abandonávamos todos os nossos dons, ou a maioria deles nas gavetas de um grande e bagunçado gurda-roupas. Percebi que eu não cozinhava porque eu gostava, mas sim porque era uma coisa que eu fazia bem, e isso me dava momentos de destaque. Estudei 5 anos de saxofone, não porque eu sonhava em ser musicista, mas porque era fácil e porque eu era boa em realizar tarefas, e com essa eu eu poderia ir até o fim. Por isso já não se tratava mais do que eu sonhava em fazer da minha vida, mas sim do que eu poderia fazer até o fim, sem ter nenhuma decepção, sem ser pior que as outras pessoas, sem ficar na desvantagem.

No final, quando caímos na realidade, e percebemos como a história começa e como ela foi ter um desenrolar tão adverso, é que nos damos conta que a sensação é a mesma de quando você compra, compra, compra, por comprar somente. Depois disso, a roupa fica lá, abandonada, já não vale mais nada, ela só foi capaz de produzir o efeito esperado por um único instante. Mas não fazemos isso porque somos maus, ou simples consumistas, e sim porque todos buscamos ser felizes, e nem sempre é da melhor forma.

Por isso é sempre bom deixarmos as portas, desse guarda-roupas, abertas, vasculharmos, tirarmos o que já não serve mais, reciclar, e garanto que haverá muitos momentos onde nos perguntaremos: “O que eu estava pensando quando eu comprei isto?” Não se culpe! Apenas sorria, porque vai soar engraçado mesmo, mas não ache muita graça, pois você pode deixar as coisas fugirem do controle.

O guarda-roupas é um bom meio de nos conhecermos. Hoje, acordei decidida a rever um lado do meu, que eu quase não abro. E aí eu mesma me perguntei o porque de quase nunca abri-lo. Pois quando eu tirei todos os cabides para fora lá estavam calças que não me serviam mais, sandálias altas demais, peças pequenas, peças grandes, muito escuras, ou que pareciam meio ultrapassadas, ou mesmo, nada a ver com o meu momento. Sim, até muitos dos quilos que eu emagreci eu coloquei de volta no meu guarda-roupas. E isso me doeu, ao me deixar obrigada a encarar o fato de que emagreci por muitos motivos, mas poucos deles estavam ligados ao que eu mesma achava sobre mim. E por isso minhas calças do tempo em que era magra estavam, umas sobre as outras penduradas num pesado cabide, simbolizando apenas um momento que eu vivi.

Estou há algumas semanas de realizar uma cirurgia bariátrica, e para que eu tenha a certeza de que eu estou fazendo isso por mim mesma, a fim de não engordar de novo, repetindo o erro da última vez, resolvi ir até as últimas conseqüências em me conhecer, saber quem eu sou, prestar atenção no que compro, no que como, nas opiniões que dou. Ta bom, eu sou doida, assumo isso, mas pelo menos estou tentando fazer alguma coisa pela minha felicidade, e me conectando a mim mesma. Procuro resgatar alguns acontecimentos, afinal de contas não tem aquele ditado, ou dizer, como queiram, que fala que pra não repetirmos os mesmos erros deveríamos estudar a nossa história. Tudo bem que foram historiadores que disseram isso, e que eu não sou nenhum país, mas vamos combinar que o interior de uma pessoa deve ser tão complexo, senão mais, do que a história de um país inteiro.

Mas hoje eu percebi um fato curioso sobre mim, eu que sempre tive o impulso de fazer altas faxinas no meu guarda-roupas e dar para doação sacolas e sacolas de roupas, pensei diferente . Simplesmente olhei para tudo com carinho, peça por peça, relembrei momentos, e decidi que não se tratava de sair esvaziando o armário. Ele é a minha história e eu não posso simplesmente sair distribuindo capítulos por aí.

Pela primeira vez, acho em anos, mas de 30 anos, eu não fui precipitada comigo. Agora não é a hora. Vai chegar o momento em que vou me sentir segura para saber o que fazer. Por enquanto, vou manter tudo organizado, arrumado com carinho e procurar visita-lo com mais frequência. Afinal de contas, como saber o que fazer se nem sabemos o que estamos sentindo?

Agora se trata do que eu gostaria muito de fazer da vida, e não de tudo que eu tenho capacidade para fazer. E quer saber, meus livros estão todos na estante. O futuro estava a portas abertas, eu é que demorei para ver.


AH! Ja faz 3 meses que operei o estômago e tenho mexido muito nomeu guarda-roupa, revisitando peças do passado e doando varias calças de numeros que nunca maisvou usar! rs tudo tem seu momento,...rs