quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quem sou eu, por mim mesma!


Outro dia me perguntaram: - Depois de todas as transformações pelas quais você já passou, quem é a Nancy hoje?
Daí, depois de pensar um pouco, aí vou ‘Eu’...35 kgs mais magrinha!!!!

Eu sou uma frase...
que alguém disse por dizer e não pensou na profundidade das palavras.
Quem já me conhece a mais tempo diria que eu sou um texto, outros, um livro inteiro....pois não sou muito de resumir, ....prefiro que as pessoas se fartem do que passem fome.
Sou feliz como se esse chip já tivesse nascido dentro de mim com uma carga extra de endorfina, que independe do estar ou ter, apenas sou desse jeito, sei lá.
Medo eu tenho sim! O de ter medo de fazer as coisas que quero, de dizer o que tenho vontade e de ir aonde quero estar..... resumindo, seria o medo de não ser eu!
No mais eu me sinto a vontade... tão a vontade que quem me conhece, pode me odiar a primeira vista, mas todos corremos nossos riscos.
Quanto mais a madureza inevitável da idade biológica me alcança, mais eu penso que a liberdade é impagável, e por isso eu mesma me acho muitas vezes um ser humano meio às avessas...mas confio no meu bom coração.
E essa liberdade a que me refiro não é a exterior, em que tantos podem pensar, num estado civil, ou coisa e tal....não! Falo aqui da minha liberdade interior. Se antes eu me sentia dentro de uma kitnet, hoje me sinto numa fazenda...o espaço é tão grande que às vezes me perco dentro de mim...mas, quem não se perde assim? Melhor sensação não há!
Para mim tesouro são palavras, e as palavras são como o tempo, se deixa-las passar podem voltar, mas serão outras...como o tempo à frente nunca será igual o que se foi, e por isso agarro-me a elas e vou!
Gosto de tudo que me proporcione a alegria de simplesmente ser eu. De fazer coisas que sejam únicas, pois uma criação é peça original, e não merece ser feita em série.
Pinto, escrevo, me enfeito, cozinho, bordo, toco um instrumento, falo, leio, amo, sinto, escuto música, analiso, abraço, penso, me emociono e bebo muito vinho....ah! isso eu já descobri que alimenta meu espírito, e se tenho um vício, além do de falar demais, é esse, o vinho. E o melhor de tudo é que do vinho tiro o veneno e o antídoto para as horas que bem entender....não sei explicar como funciona, mas é perfeito, é divino.
o racional me escapa, faço conta só para saber quantos dias faltam para o fim de semana. Números? só os dos batons. Bens? Só o meu bem-querer....mas como ninguém é perfeito, eu me gosto assim mesmo.
Se eu fosse uma música, seria alguma de Cole Porter, difícil dizer exatamente qual, pois uma música seria muito pequena pra me cantar inteira. Se eu fosse uma cidade, por enquanto seria uma cidade nevada, mas com céu azul: casas aconchegantes de estilo alemão, e sempre cheia de motivos para se esquentar com vinho, já que há muita neve lá fora.
Sou confortável.... gosto de me sentir segura dentro do meu conforto, porém ao mesmo tempo eu me atiro para fora do colchão porque uma necessidade de realizar quer que eu saia do lugar a qualquer custo.
E nessa hora sou uma batalha, meio como a do cavalo de tróia, eu me espezinho, me aconselho, me ataco de surpresa, me defendo, de repente paro e deixo tudo como está, me dou uns petelecos, e fico assistindo para ver quem vai ganhar..., mas até com isso eu me divirto pois nunca sei qual vai ser o final.
Enfim, para mim, eu sou assim: não se trata de como as coisas são, mas de como eu as faço serem!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Na gripe Manoelítica, só dez por cento é mentira!


Olhe onde você não está

Lembre das viagens que não fez

Repita o que nunca ouviu

E a poesia acontecerá em você!

Nancy S.




Vi o documentário do poeta Manoel de Barros,
'Só dez por cento é mentira' ontem e fiquei contagiada,

ainda mais porque vivo das palavras,

e talvez eu tenha mais sorte por isso,

do que ele próprio que teve que comprar seu ócio!



‘Se os fatos não correspondem à ficção, pior para os fatos!’

‘...eu não saio de mim nem para pescar!’

Realmente uma delicadeza literária! Vale a pena assistir.



Sem falar que ele tem razão....

Invenção não é mentira, é simbologia, do que sente-se no fundo da alma

Escrever é assim.....só quem escreve sabe as histórias que carrega no seu interior.

E é preciso coragem pra ser o que se quer, e não o que os outros esperam que você seja.

Mas quem tem esse olhar torto de poeta ou escritor, que ele mesmo diz, tem coragem de ser

aquilo que simplesmente é, eu sei porque sou assim, e agora eu vi, que não sou tão louca assim....


Importante é também comentar que no tocante à poesia, que é o contexto de Manoel,

é um tanto mais delicado, porque a poesia requer descobrimento, e o mais interessante

é que cada um vai se ver naquilo que ler, ninguém vê poesia igual, a leitura é particular e única.



Só sei dizer que no final do documentário aconteceu....

Peguei a gripe manoelítica...e essa eu quero passar pra frente

A cura? só com vacina de escrever,

Se é que alguém vai querer se curar...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Top Blog




Meu blog foi indicado!
Se quiserem votar tudo bem!
Senão, continuem acompanhando que tá ótimo!

Vamos filosofar um pouco? Então Kant comigo!

Ontem lendo um texto de um homem com grande conhecimento em filosofia, recordei de quantos estudos realizei, em consequência de bolsas pesquisa, que me proporcionaram 4 anos com 100% de isenção de mensalidade na faculdade.
Mas não podia ter sido melhor, pois enquanto todo mundo fugia dessas matérias, eu adorava viajar pelos meridianos do ser humano, sempre apostando na teoria daquele que fosse desvenda-lo com mais profundidade.
É, vocês tem toda razão se me disserem que filósofos, sociólogos e até os pais da comunicação, expressavam-se de maneira complexa, e eu justificarei dizendo que para falar de assuntos tão complexos, restariam poucas expressões simplistas que conseguiriam dizer tudo.
Lembro-me ainda que adorei a primeira vez que li ‘O meio é a mensagem’, e daí logo pensei: Pois é como desvincular nosso conteúdo interior do ambiente no qual nos desenvolvemos? (uma interpretação particular minha).
E daí vi que uma coisa completava a outra, ou seja as teorias filosóficas, da comunicação, e etc em conjunto mostram várias facetas de uma única história: O ser humano procurando a sua essência.
Nossa identidade cultural, as regras da sociedade, a educação que nossos pais nos deram, e todo o repertório que por décadas vamos adquirindo, vão se entrelaçando dentro de nós de um jeito que podem acabar criando imensos ‘nós’, se não forem organizados.
Uma vez lembro ter estudado um livro de psicanálise do comportamento humano, de Jean-Marrie (não me lembro o sobrenome) que falava sobre atitudes que realizamos para nos sentirmos menos culpados e aceitos, como dar dinheiro no farol. Recordo-me claramente de pensar: Nossa! Queremos nos desculpar por sermos felizes! Por isso McLuhan para mim vai estar sempre tão atual: ‘...Meios geram ambientes que moldam os tipos de sociedades e as formas de vida, com conseqüências profundas no homem. É por isso que o meio é a mensagem’. É ele tem razão, o ser humano está sempre preocupado com o que os outros vão pensar, com o que vão dizer sobre mim, sobre você, sobre todos nós, e é a mensagem que os meios subliminarmente enviam de volta a nós.
Por isso eu pergunto: E o que nós pensamos sobre nós mesmos? Isso deveria ser o mais importante não é mesmo? Mas pra responder isso precisamos nos sentir independentes, meio que expatriados do nosso meio. E isso não é fácil, pois não falo aqui da independência numa atitude contraventora, que fere o direito do próximo, mas sim numa atitude de ciência de si mesmo.
Por isso eu gosto tanto de um cara, que lá da Prússia escreveu o seguinte: ‘...o conhecimento, não é o reflexo do objeto exterior. É o próprio espírito humano que constrói - com os dados do conhecimento sensível - o objeto do seu saber.’
(Immanuel Kant, descrito por Fichte, como 'a razão pura encarnada').
E eu acrescentaria: ‘leia, reflita, conheça a ti mesmo e alcançará a tua tão feliz liberdade!’
Então kant comigo!
Uma ótima segunda a todos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

ESCOLHAS

Gostaria hoje de falar sobre as escolhas que fazemos e que muitas vezes, deixamos de fazer.

Eu sempre digo que o mais fantástico da vida é termos o direito de fazer escolhas, de mudar de idéia de seguirmos por um caminho, e se quisermos, tentar outro. Porém fazer escolhas nem sempre é fácil, pois inclui arcarmos com as consequências dessa escolha. E daí dá uma vontade de gritar: HEI!!! ALGUÉM ME DÁ UMA LUZ??? ALGUÉM AÍ PODE ME DIZER O QUE EU FAÇO???

Desde que eu fiz a cirurgia de redução do estômago, eu decidi que seria verdadeira comigo, e que tomaria as minhas decisões baseada no mais saudável para mim. Sempre buscando a minha felicidade, sem ferir o direito do outro. Isso, depois de uma passado onde por várias vezes atropelei meus sentimentos sem meias medidas.

Porém, neste momento de minha vida, me peguei atropelando meus sentimentos novamente. E desta vez foi uma surpresa para mim me perceber, de repente, e me pegar com a boca na botija, o susto foi grande. Eu chorei e fiquei bem chateada comigo, parei, pensei e tive que ter aquela paciência toda de entender o que estava se passando. Mas em seguida pensei... eu enxerguei, desta vez eu quis ver! E o melhor de tudo foi que não me submeti a ‘comer minhas emoções’.

Lembrei-me então das palavras da minha terapeuta, quando me disse que nós somos responsáveis somente por nossas escolhas e não pelas escolhas ‘do outro’. E pensei: É verdade, por mais que eu queira que uma amiga ou amigo sigam por tal caminho, eu não posso me sentir responsável pela escolha deles. Temos que amar as pessoas como elas são, e amá-las até nas horas em que trilham por um caminho que não seja o melhor. Cada um tem o direito de escolher por onde quer seguir. E isso serve para nós mesmos, por isso quando escolhi não comer minhas emoções eu me amei. E isso deixou meu coração mais leve.

E que cada um de nós faça as melhores escolhas...
Escolher ser feliz ou triste, viver bem ou mal, resolver os problemas ou se alimentar deles, seguir em frente em busca da felicidade ou se contentar com a situação em que vive agora, aspirar por um futuro feliz ou viver na sombra do passado.....
Então que tal escolher ser feliz hoje?
Eu vou tentar!

Um beijo a todos
Nanny

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Por quê? Por quê? Por quê?



Na semana passada em três conversas, com três pessoas diferentes, me peguei participando de discussões nas quais as pessoas se perguntavam porque viveram algumas situações difíceis no passado, as quais muitas vezes elas não conseguiam entender o porque, e percebi em algumas delas um tom de frustração por não terem uma resposta palpável que lhes preenchesse essa dúvida. Bom, como eu gosto de pensar sobre muitos assuntos, vou aqui expor minha opinião, baseada no modo como, de forma meio que autodidata, criativa e muitas vezes até intuitiva, eu construí a minha teoria da evolução!

Sou partidária de que no universo existe uma lei natural de evolução, o que justifica a evolução das espécies, e o que consequentemente, apoiada no esforço do homem, gerou também evolução do conhecimento, da ciência, da tecnologia, etc. Ora, se essa força do universo nos impulsiona a evoluir, porque faria isso somente na forma física? E se fosse assim, a própria evolução do saber já fugiria disso, certo? Então porque não ir mais além e pensar que essa lei natural também nos impulsiona à evolução de nós como seres humanos por inteiro? Quero dizer emocionalmente, moralmente etc.

Para mim, isso vem responder a muitos porquês, a muitos encontros e desencontros e a todo o tipo de situação pelas quais passamos. É só avaliarmos nossa história, uma tão diferente da outra, já que não existe um ser humano idêntico a outro. Se analisarmos os tipos de situações pelas quais já passamos e vermos os tipos de situações que vivemos hoje, talvez possamos responder alguns desses porques. Primeiro ponto é que se a lei da evolução existe, é porque não somos perfeitos, senão não teríamos para onde evoluir, certo? Então eu parto do princípio que temos sim coisas para nos melhorarmos. E segundo, a própria diversidade evolutiva nos faz evoluir, pois o erro de um pode impulsionar o acerto de outro. Então penso mais ou menos assim: Se não conseguimos nos estimular com os erros ou acertos do outro, podemos olhar para dentro de nós mesmos. Será que hoje vivemos igualzinho ao que vivíamos ontem? Se nada mudou em nós, devemos então estarmos passando por situações padronizadas, pela mesma recorrência de acontecimentos, encontrando pela frente os mesmos obstáculos, repetindo-nos nos mesmos erros, namorando com o mesmo perfil de companheiro (a), enfim, vivendo num ciclo vicioso. E além de estarmos vivendo tudo isso, com um tremendo ar de insatisfação, porque nós fomos criados para evoluir, e se não evoluímos, estamos sempre insatisfeitos, devemos estar achando que estamos no mundo para sofrer.

E isso não é verdade, está mais do que óbvio que se o universo nos empurra a caminho de uma evolução constante, e nós mostramos resistência, ele estará nos proporcionando o mesmo ciclo de repetições, como se quisesse que evoluíssemos e superemos esse obstáculo, de forma insistente, a fim de que cumpramos nosso papel, o de evoluir! Portanto, quanto mais somos renitentes no erro, nas posturas erradas do agir, mais vamos contra a evolução, e se ela é uma lei natural, tudo se volta contra nós. Tudo é evolução, e falando no lado positivo agora, quando o tempo passa e superamos nossos erros, limitações e superamos situações, numa forma de avançarmos, olharemos para trás, e veremos o quanto evoluímos, o quanto estamos melhores, o quanto tudo a nossa volta se movimentou de forma positiva, e nos sentiremos recompensados pela satisfação de sentir felicidade em nós.

Veremos então que hoje o próprio universo nos oferece melhores condições, melhores oportunidades, e o quanto hoje somos mais felizes do que ontem. Por quê? Porque evoluímos, e tudo que diz respeito em relação à nossa vida, evoluiu também e aí olhar para trás é como olhar para baixo, para o começo da escada. Isso mesmo, ultrapassamos os obstáculos, subimos degraus e estamos naturalmente acompanhando a lei da evolução.

Por isso quando olharmos para trás e nos perguntarmos, porque passamos por determinadas situações, ou qualquer outro porque, procuremos a evolução natural da espécie como resposta, pois essa é a lei que rege o universo. Agora, se você quiser saber o porquê sofreu tanto tempo dentro de alguma determinada situação, aí olhe para dentro de você mesmo e se pergunte quanto tempo demorou para enxergar que a chave para sair desse problema estava todo tempo na suas mãos, e por quanto tempo esperou que o universo viesse e resolvesse esse problema. Mas o bom é sempre entendermos que a evolução é um processo natural, cada um tem seu tempo, seu ritmo, e o importante não é nem quanto tempo levamos para encarar a situação de frente e mudar, ou seja para evoluir, e sim que finalmente evoluímos!

A evolução é inerente a cada um, um princípio que nasceu conosco, e se vamos contra ela só nos depararemos com a desarmonia. Como evoluir? Ao mesmo tempo que sabemos como, não sabemos que sabemos. Como assim? Vou explicar: nosso instinto de sobrevivência nos ajuda não só a preservar nossa espécie, mas a evoluí-la, por isso que mesmo de forma intuitiva, damos um jeito de mudar as coisas.

Porque cada um passa por experiências às vezes tão diferentes, às vezes tão semelhantes à dos outros? Eu explicaria da seguinte forma: Cada um está num grau dentro da escala evolutiva, e isso não tem a ver com posição social ou econômica, e sim do ser humano como um todo. Assim, possuímos uma energia própria, de acordo com nosso grau evolutivo, e dessa forma atraímos e somos atraídos a certas pessoas, lugares, situações, etc.

Apesar de eu ter dito que tudo isso são suposições minhas, as quais não classifico nem como verdade ou mesmo inverdade, e apenas um jeito criativo de entender o universo, existe uma coisa da qual tenho 100% de certeza: quanto mais temos vontade de sermos felizes e nos movimentamos para isso, o universo conspira a nosso favor e tudo acontece. Então preste mais atenção nos movimentos do universo, e mais, na sua evolução pessoal.

Sei que o texto foi longo, mas gostaria de deixar algumas dicas para quando a felicidade bater à sua porta:
- Acredite, você fez por merecer.
- Seja grato com o universo, e ele será com você também.
- Liberte os fantasmas do passado, e não espere que a qualquer momento eles reapareçam.
- Se dê a chance de viver essa felicidade
- Não fantasie, realize.
Afinal nós vivemos a vida na qual acreditamos!

Beijos a todos e uma linda semana

terça-feira, 14 de julho de 2009

Hoje

Escrevi este texto pensando em como viver o "hoje" sem ansiarmos o que está por vir é bom!
Espero que gostem.

Hoje

Hoje quero ser feliz
Quero que cada minuto do meu dia seja um alento a meu coração
Quero que as palavras que eu disser tragam alegria, harmonia, consolo
Quero construir as horas com a história deste dia
Quero estar aqui e agora, unindo meu corpo e minha mente em uma só vertente

Hoje quero pensar
No que vou fazer nas próximas horas e no que agora me vem às mãos
Quero pensar no que posso fazer hoje pra que o meu pequeno mundo possa ser melhor
Quero que as horas me ajudem a crescer, ampliar meus horizontes de minutos

Hoje quero descansar
Descansar da ansiedade que me faz voar a um futuro obscuro,
Obscuro, pois eu não sei o que se passa por lá
Quero que a paz do agora me encha o coração de satisfação
Aproveitar os segundos que tenho nas mãos e não tentar segurar as ilusões do que ainda não vivi.

Hoje quero lembrar
Das coisas boas que vivi no ontem trazendo calor ao coração
Das pessoas que tanto amo, sentindo aquela saudade boa, onde amamos de perto mesmo quem está ao longe
Dos momentos não tão bons do passado e pensar no que faria hoje se hoje eu pudesse consertá-los, e com isso aprender.

Hoje quero me perdoar
Entender o que sinto e abrir mão de me culpar, vivendo a leveza de quem sou, e assim me respeitar
Respirar fundo pelo medo que senti, e me sentir protegida pelo hoje que me envolve.
Me encarando de frente sem preocupação, e vendo todos os meus defeitos como um motivo a mais pra viver o hoje

Hoje quero agradecer
Comemorar minhas conquistas até hoje alcançadas e pelas que as próximas horas me trarão
Por ter mais um dia para tentar, realizar, seguir em frente
E também pelo que ontem possa ter me feito chorar, mas que hoje me faz crescer, oportunidades que com certeza me fazem olhar a vida hoje de forma mais interessante

Hoje quero sorrir
Alegrando-me pelo dia todo que tenho pela frente
Recebendo como presente as surpresas do que não estou a esperar
Sorrindo do bom dia ao boa noite e sentindo meu sorriso contagiar

Hoje quero amar
Quero amar e ser amada, sentindo-me livre e plena para viver este sentimento por inteiro, hoje
Quero amar sem preconceito, sentindo a alegria da felicidade pelo outro ao meu lado e não temendo pela posse do "ter" que só traz a angústia.

Hoje quero viver
Viver intensamente os períodos que este dia tem a me oferecer
Sorrir, chorar, dar as mãos, abraçar, aconselhar, escutar...
E assim eu vou viver, um dia de cada vez, sentindo as emoções do hoje até os 112!


Nancy Steagall
14 07 2009

domingo, 12 de julho de 2009

Só aquele que há no outro nos mostra como nós somos


Acabei de escutar esta frase, em um filme, e deve ser de algum grande pensador, que me fez pensar o quanto nós nos encontramos no olhar do outro, no medo do outro, na culpa do outro. Hoje eu vivi uma experiência muito diferente, e pude sentir um sentimento ao mesmo tempo de alívio ao mesmo tempo de necessidade de me proteger, e de repente me peguei comendo emoções. Tinha que resolver um assunto com um ex-namorado, e eu sempre tive dificuldade de resolver algo inacabado, ou melhor dizendo, mal inacabado. Pensei com calma em como resolver da melhor maneira, e marcamos um almoço. Almoçamos, ele pegou algumas poucas coisas dele que ainda estavam comigo -as quais me senti aliviada por vê-las irem embora-, e daí então eu disse que não me sentia bem de ele entrar na minha casa. E essa era a verdade mesmo....mas a algum tempo atrás eu engoliria isso e nunca conseguiria dizer....talvez por não querer magoar, talvez por dificuldade mesmo de me desligar do passado, talvez por motivos que eu até desconheça....mas eu consegui, com calma e um pouco de medo. E depois eu comecei a comer bobagens, nada demais e nem compulsivamente, mas percebi que precisava naquele momento me sentir protegida. Porém o importante pra mim é que eu me peguei mais madura, mais amável comigo e com meus sentimentos, e comendo às claras e não me escondendo de mim mesma. Eu me respeitei, me libertei do passado, e aquela ansiedade de como resolver, e terminar e ainda mais, de me desligar do passado, foi superada por este dia. Eu consegui realizar, e agora me sinto livre para continuar, para viver o futuro e ser feliz. Sim, ainda preciso passar por mais alguns desses testes da vida até não sentir mais a necessidade de comer essas emoções. Hoje já são 34 kilos de peso a menos, e 34.000 fagulhas de alegria a mais. Estou mais calma, aprendendo que sou humana, erro, sofro, sinto, choro, mas que sempre há o amanhã pra continuarmos e acertarmos. Ontem fui a uma festa de aniversário, e me senti uma ´pessoa normal´, para mim é claro. Eu comi docinhos, bolo, e tudo o mais. Me senti confiante. A comida não me domina, no sentido de que não me sinto mais obrigada a contar pontos ou calorias e me vigiar e controlar.....mais uma vez me sinto livre. E é tão bom, e é tão leve, e é tão feliz. Me dá um sentimento de satisfação, aquela felicidade além da felicidade que eu comentei em alguns momentos nesta semana com algumas pessoas. Lutar pelo que queremos, ou termos a coragem de enfrentar nossos medos para lutarmos pela nossa felicidade, saindo da nossa zona de conforto, é muitas vezes uma luta interior, que num primeiro momento pode não trazer aquela alegria dourada, mas no fim do arco-iris há um pote de ouro sim! Acreditem, de coração. Vale a pena ser feliz, vale pena tirarmos nossas máscaras e nos enxergarmos como realmente somos. E podemos começar nos vendo no olhar do outro, que tanto tem a dizer sobre nós!
Um lindo domingo a todos, ah! sexta comprei uma calça 5 manequins menores do que quando comecei.
bjs
Nanny

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Não tem preço!

Hoje pela manhã, levantei-me a passos lentos e depois de despir o pijama quentinho, caminhei em direção a balança. O visor piscou, piscou e de repente eu tive confirmada a surpresa! Cheguei a onde eu tanto queria! Nem acreditava, desci e subi novamente, e os números foram confirmados! Ajoelhei no chão da sala de alegria e agradeci por ter chegado este dia. E tantas coisas passaram pela minha cabeça enquanto eu me vestia as 06:30 da manhã para ir ao trabalho. Lembrei de quando pensei num dia na hipótese de ter um bebê, e logo em seguida pensar que nem conseguiria agachar para brincar com meu filho ou filha....lembrei de todos os remédios que tomava por dia, e do quanto eu me sentia culpada, por de alguma forma, ter me deixado chegar naquela situação..... lembrei das minhas inseguranças, e de todas as vezes que me olhava no espelho e via reletida diante de mim uma imagem que não era a minha. Mas também fiquei orgulhosa de mim por uns instantes, por estar vivendo tudo isso e sempre ter sido feliz e grata pela vida que tinha, e por me ver uma pessoa tão acarinhada pela vida, meus amigos e minha família... eu nunca estive só! Saí de casa, as ruas ainda escuras, e eu escutei a música que me lembrou um momento, uma pessoa... e agradeci também por ela estar fazendo parte deste trecho de minha vida. Pensei em todas as coisas boas que me rodeiam, e que eu estava indo em direção ao meu trabalho, lugar que tanto amo. Não consegui segurar meu sorriso nem por um instante. Quando desci do ônibus as ruas já estava claras e o trechinho de céu azul que vi, me lembrou o quanto o universo é sábio, ao ter me dado oportunidades durante todos esses anos, para que eu me preparasse para o dia de hoje. Sim, eu acredito em meu coração que tudo tem seu momento certo, e que essa máquina do destino que nos conduz, sabe exatamente em que estação devemos descer. Isso é, se quisermos, é claro, pois ainda temos a total liberdade de escolher, se queremos ficar ou seguir.
E eu cheguei até a minha meta pessoal. São 33 kilos de felicidade, de confiança, de auto-estima, de gratidão. Pois estar saudável e feliz, não tem preço, e não há dinheiro algum no mundo que nos dê essa compensação. A minha jornada ainda continuará por mais 17 kilos, mas por enquanto eu cumpri o que prometi a mim mesma!Fiz por amor a vida, por amor a mim e às pessoas que me rodeiam.
Como eu cheguei? Confiei, acreditei, me respeitei e principalmente, nunca desisti. Pois apesar de nunca ter visto Deus, eu acredito que se ele se deu ao trabalho que criar todos nós, não foi para sofrermos, e sim para sermos 100% felizes, todos os dias!
E que assim seja!
bjs a todos
Nanny

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pequetito conto da manhã chuvosa

Hoje acordei resfriada, porém congestionada de alegria.
Uma alegria simplória, aquela de criança, mas numa cabeça e corpo de mulher.
Senti o cair da chuva nos passos rápidos que me permitem o peso diminuto de meu corpo, e a leveza da alegria sobre a minha alma.
Suspirei dentro da pashmina que me envolvia o fino pescoço.
E pensei... bom mesmo é a alegria ocupar espaço imenso, e ser leve.
Pois quanto mais brinco de substituir peso por alegria, mais eu apareço...
Mais me florescem as sensações e isso me desperta um profundo alento.
Mais alguns passos e eu me lembrei do doce sorriso de alguém.
Alguém que conheci há pouco, mas que é tão presente em mim.
Ah! Que bem-estar, e respirei fundo mais algumas vezes...
Lembrei de Beethoven, assim, como se por alguma possível convivência tivéssemos uma ligação, e falei em pensamento a frase que mais me alimenta o coração: “Não há nada mais belo do que distribuir a felicidade por muitas pessoas.”
E para mim esse dizer disse tudo.
A paz chiou no meu peito e eu tossi a esperança de um dia melhor ainda do que muitos que já tive. Será possível?
Sim, sempre!
E é somente por esse motivo que sigo todos os dias, nessa aventura mágica de uma vida que me surpreende a cada momento com presentes preciosos!
Uma linda semana a todos
Nanny

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Viver o momento e deixar o universo se movimentar


Esse está sendo meu ponto alto deste momento. A vida toda fiquei tentando estabelecer padrões e situações para que eu mesma, de algum modo, pudesse me sentir segura. Porém porque será que tinha a necessidade, no fundo tão cruel, de colocar um título em tudo?? Ou o cara é namorado ou não é nada, ou é amiga íntima ou não é nada, ou eu sou corintians ou então é marmelada, ou eu estou na moda ou to fora da rodinha!!! Calma, respiração cachorrinho...risos.
Nessa semana minha psicóloga me passou um artigo sobre a autosabotagem e aí eu fui entender porque eu era tão rígida. Essa coisa de fazer manha e querer que tudo esteja pré-estabelecido é coisa de criança. E daí tudo ficou claro, minha menina sabota minha mulher. Porque é tão difícil conhecer um cara e viver aquele momento sem criar expectativas futuras? Mas ando fazendo essa experiência comigo....depois de altos papos com minha menina interior....e ando me sentindo tão mais leve....sem esperas, sem expectativas percebi o quanto a vida é mais leve. Pois podemos deixar o universo se movimentar e a vida nos surpreender. Cada um tem seu ritmo, e não podemos impor a ninguém medidas por obrigação, pois não queremos que ninguém aja assim conosco também. Então vamos ser mais leves, nos fixar no aqui e agora, viver intensamente o momento que temos nas mãos....e as ilusões....nenhum alimento a elas, Xô a todas!!!!!
Afinal de contas o que queremos é estar na realidade, então que ela venha carregada de tudo o que for bom e saudável para nós. Que o universo conspire e faça a sua parte de unir as almas a fim, no trabalho na vida pessoal, enfim. Pois isso é um trabalho inato dele, e ninguém faz trabalho melhor que este. Sejamos leves com nossas autocobranças, saibamos nos entender e respeitar o nosso passo, para assim, entendermos melhor o outro. Afinal, ninguém quer saber o presente que vai ganhar, bom mesmo é abrir o pacote e ter a surpresa final! Uma linda semana a todos carregada da magia real, aquela que realmente faz acontecer!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Presentes da vida que ficam para sempre!



E as vésperas do dia dos namorados, o amor vaga pelo ar envolvendo os corações adolescentes. E foi nessa época cor de rosa que a vida me presentou com um momento mágico. Já há mais de um ano sem ter contato com um ex-namorado (ao qual darei o codenome de Luis), que fez parte de um momento muito importante de minha vida, entre os anos de 2006 e 2007, tive notícias via msn e orkut e fiquei sabendo que estaria numa casa de salsa. Mas nesse mesmo dia eu tinha um aniversário, e como o Murph está sempre rodeando nossos pensamentos, eu já disse que ´se desse´eu iria...mas era já num tom de não vai dar. Enfim, fui ao aniver, estava super animado no bar 6:01, e quando já avançava a uma da matina, me deu uns cinco minutos eu eu disse: E se a gente fosse dançar salsa??? E minha amiga me olhou admirada do tipo (Essa louca tirou a salsa da onde a uma da manhã??) Acabamos que fomos, porque bomo boa escorpiana que sou, embuída de alto poder de persuasão, quando eu quero, eu consigo e fomos! Fui preparada pra tudo. Chegar lá e encontrar o Luis com outra, ou outras, pois sabe-se lá a uma da manhã se a coisa tá pegando e quem nessa já tá se garantindo. O pior que poderia acontecer era eu matar a minha vontade de ve-lo novamente e dançarmos salsa com um bando de desconhecidos. Chegamos ao local e eu, vestida de patricinha com olhos de cegatolina (pois imaginem só uma pessoa que usa quase três graus em cada vista, sem óculos a noite) procurei disfarçadamente pelo rapaz. Entramos, caminhamos até os fundos, subimos ao mezanino e descemos as escadas, quando de repente, como num filme da broadway ele me vê ao fim do último degrau: QUE ESPANTO! foi a cara que ele fez. Nos abraçamos, e foi mágico. Sabe quando toca aquela música ao fundo,....fundo do ouvido mesmo, e tudo ao redor para e só existe o que está acontecendo dentro de você?? Pois é nossa música tocou, era a mesma pra mim e pra ele. Ele estava admirado, quando namoramos eu era 30 kilos mais gordinha, e também passou muito tempo da última vez. Acho que nem pra mim e nem pra ele as últimas lembranças foram boas, pois tivemos uma última semana de namoro bem ruim e resolvi terminar. Nem discutimos, simplesmente apertamos o shutdown, e já era! Eu fiquei arrasada sim mas achei que era o melhor, e ele seguiu a vida dele. Voltando ao momento mágico, foi como se esquecessemos tudo o que foi de ruim. Eu vi outro Luis, era muito melhor do que aquele que eu tinha namorado, e ele viu uma Nancy Sensacional. Me senti a verdadeira Megasena, pois ele estava tão feliz, mas tão feliz que me apresentava a todos os amigos dele como a ex-futura-atual namorada. Era uma embriaguez só, mas nem era de alcool era de amor mesmo. Ele me falou tantas coisas sobre mim e tudo o que houve entre nós, que foi um dos momentos mias lindos que já vivi na vida. Pra mim tá eternizado, pois era tanto amor e tanta alegria, como se nada pudesse se abater sobre nós. Ele estava lá, sem máscaras dizendo que eu era uma mulher realmente para se casar. Olha nem sei aqui relatar tudo o que foi dito, só sei que foi coisa de Deus. Todo mundo deveria ter direito a um momento desses na vida. Nos beijamos e abraçamos a noite toda, envolvidos por uma manta de carinho tão macia que chegava a respirar devagar. Tudo isso foi até umas quatro e pouco da manhã. Ele fazia planos, mas eu só queria viver aquele momento, ali, e aquela hora. Ficou de me ligar no dia seguinte. Sim, eu esperei. não , ele não ligou. Mas pra mim foi providencial, pois eu ainda tinha muito daquele filme pra ver na minha mente. E demorei até o fim do dia pra ver tudo, e ainda faltou um pedaço. Minha adrenalina a mil.....sonhei, voei, viajei, vivi o momento além do espaço e do tempo, transcendi. Se ele vai me ligar ainda, ou quando?? eu nem penso sobre isso e acho melhor a vida seguir seu curso. Pois sinceramente acho que a adrenalina dele subiu tanto que ele disse mais do que conseguiria fazer e teve vontade de ir além da onde conseguiria chegar. Só sei que me proporcionou um dos momentos mais inesperados que já vivi, e é isso que vale. E contagiou a todos que estavam lá. Sabe o que é melhor do que ouvir de desconhecidos que você é linda? Você ouvir isso do homem que andou com você de mãos dadas na praia quando você estava recheando um biquini com 30 quilos a mais, e te apresentou aos amigos dele como se você fosse a mulher mais linda do mundo. Isso eu nunca vou esquecer. Ele gostou de mim mais do que eu mesma conseguia gostar!
Entenderam agora porque tudo foi tão especial.Eu realmentte não quero voltar ao passado, mas vamos dizer que isso foi um reconhecimento positivo por tudo e por todos que passaram em minha vida.
Só posso agradecer a Deus por nos ter proporcionado essa linda noite.
Essa fotinho??? Foi o modelito que eu estava usando quando vivi minha noite mágica!
Beijos a todos com 29 kilos de fagulhas de alegria!!!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Só para compartilhar!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

No vai e vem da sanfona – Never more!


Não esconda nem esqueça seus motivos. Eu emagreci 100kgs, porém não tratei o motivo pelo qual engordei e o resultado de tudo isso foi me manter em dieta constante e tomando remédios tarjados durante 10 anos, até que meu organismo não agüentou mais e num grito desesperado pela falta daquela proteção, pois o mundo ao meu redor me massacrava e eu não havia arrumado minha casa interior, tive que esconder tudo novamente, e engordei 40 kilos, os quais batalhei para conseguir emagrecer.
Não pense que simplesmente a gordura some e pronto. E mesmo que me tornei uma pessoa amargurada por causa disso. Não, definitivamente meu lema é mil fagulhas de alegria e eu, apesar de ser teimosa, tenho muito boa vontade em seguir o caminho certo. E isso depois que eu parei de mentir para mim mesma é claro.
Eu estou há 3 meses e 10 dias nesta fase do me auto-conhecer, do espelho da verdade comigo mesma, desde que fiz a cirurgia de redução doestômago prometi a mim mesma a verdade, nada além da verdade. Terapia toda semana sim! Vamos viver sem fantasmas, sem o peso no peito que pode aparecer para suprir a falta de peso. Por isso hoje não vou dizer 25 kilos a menos e sim 25 kilos mais feliz! Pois se tem alguma coisa que vale a pena pra substituir todo esse peso seu nome é FELICIDADE!

terça-feira, 12 de maio de 2009

O GUARDA-ROUPAS





TEXTO ESCRITO SEMANAS ANTES DA CIRURGIA!

Eu sempre busquei o que ser, o que fazer, ou sendo mais clara, no que me estabilizar, mas nessa minha busca desenfreada, as vezes, descobri que sabia fazer tantas coisas que a questão já não era mais sobre o que eu podia fazer, mas o que será que eu não conseguia fazer.

Quando eu era adolescente, digamos que eu não tinha o dom da beleza, então minha única forma de elogio era em cima do que eu conseguia fazer. Talvez seja uma revelação agora contar para minha irmã o quanto eu a invejava, no alto de sua beleza de olhos verdes e cabelão, sua perfeição escolar, porém eu no alto do meu peso não podia nem saber como ela se sentia. Houve uma fase da vida em que minha irmã e eu, praticamente com dois anos de diferença, éramos duas adolescentes procurando se entender. Mas ela me achava a popular, a adorada pelos primos e tios, a que cozinhava, bordava e tocava saxofone, enquanto ela não conseguiu sair das primeiras aulas, mas tinha um corpão, e o sucesso profissional, eu achava que ela tinha tudo e eu nada. Ainda me lembro de estarmos andando na rua e ela dizendo: -Eu não quero ser conhecida como sendo da família dos gordos! Eu dei risada após a sua colocação, mas acho que no fundo devo ter sentido suas mais profundas discriminações quanto ao estilo de vida que eu levava. Nessa época eu estava só um pouco preocupada com o assunto, mas como eu não conseguia emagrecer mesmo, e não tinha a menor noção do tamanho que eu era, tentava pensar em outras coisas, mas eram tantas coisas que acho que acabava não pensando em nada.

Me lembro que era uma disputa acirrada. Ela tinha os melhores trabalhos, e eu não conseguia passar de dar aulas particulares, ela era excelente aluna, e sempre se destacava. E eu, bom, eu pegava no livro e dormia, pois eu não conseguia entender matemática, e por duas vezes no ginásio, repeti em matemática, pois pra mim, não fazia o menor sentido. Eu era boa em outras coisas, teatro, fazer amigos, e de levar minhas atividades até o fim, enquanto que minha irmã tinha uma tendência a ser fogo de palha com as coisas. Mas com o passar dos anos, eu resolvi ir atrás do porque eu era gorda, e após tratamentos e muita determinação eu cumpri mais uma tarefa com sucesso, emagreci 100kgs, fiz várias cirurgias plásticas e me transformei na senhora perfeita por dentro e por fora.

Naquele momento eu percebi que minha irmã se desesperou, e simplesmente quanto mais eu emagrecia, mais ela engordava, pois não havia lugar para duas vencedoras no primeiro lugar do podium e lógico que nenhuma das duas queria ficar com o segundo lugar. Não me culpo, nem culpo a ela, pois nós duas fomos vítimas da síndrome do guarda-roupa.

Vou ainda estudar mais a fundo, mas penso que o nível da satisfação de uma pessoa é inversamente proporcional ao tamanho do seu guarda-roupa. Ta, eu explico melhor! Quando estamos vivendo plenamente, satisfeitos não sentimos necessidade de juntar qualificações, ou certificados de boa nisso ou naquilo. Resumindo, não temos necessidade de provar nada para ninguém, a não ser que esse alguém sejamos nós mesmos. E eu percebi que eu e minha irmã, passamos a vida somando, somando, somando, tantas coisas simplesmente por termos algum tempo de uma falsa satisfação, e depois abandonávamos todos os nossos dons, ou a maioria deles nas gavetas de um grande e bagunçado gurda-roupas. Percebi que eu não cozinhava porque eu gostava, mas sim porque era uma coisa que eu fazia bem, e isso me dava momentos de destaque. Estudei 5 anos de saxofone, não porque eu sonhava em ser musicista, mas porque era fácil e porque eu era boa em realizar tarefas, e com essa eu eu poderia ir até o fim. Por isso já não se tratava mais do que eu sonhava em fazer da minha vida, mas sim do que eu poderia fazer até o fim, sem ter nenhuma decepção, sem ser pior que as outras pessoas, sem ficar na desvantagem.

No final, quando caímos na realidade, e percebemos como a história começa e como ela foi ter um desenrolar tão adverso, é que nos damos conta que a sensação é a mesma de quando você compra, compra, compra, por comprar somente. Depois disso, a roupa fica lá, abandonada, já não vale mais nada, ela só foi capaz de produzir o efeito esperado por um único instante. Mas não fazemos isso porque somos maus, ou simples consumistas, e sim porque todos buscamos ser felizes, e nem sempre é da melhor forma.

Por isso é sempre bom deixarmos as portas, desse guarda-roupas, abertas, vasculharmos, tirarmos o que já não serve mais, reciclar, e garanto que haverá muitos momentos onde nos perguntaremos: “O que eu estava pensando quando eu comprei isto?” Não se culpe! Apenas sorria, porque vai soar engraçado mesmo, mas não ache muita graça, pois você pode deixar as coisas fugirem do controle.

O guarda-roupas é um bom meio de nos conhecermos. Hoje, acordei decidida a rever um lado do meu, que eu quase não abro. E aí eu mesma me perguntei o porque de quase nunca abri-lo. Pois quando eu tirei todos os cabides para fora lá estavam calças que não me serviam mais, sandálias altas demais, peças pequenas, peças grandes, muito escuras, ou que pareciam meio ultrapassadas, ou mesmo, nada a ver com o meu momento. Sim, até muitos dos quilos que eu emagreci eu coloquei de volta no meu guarda-roupas. E isso me doeu, ao me deixar obrigada a encarar o fato de que emagreci por muitos motivos, mas poucos deles estavam ligados ao que eu mesma achava sobre mim. E por isso minhas calças do tempo em que era magra estavam, umas sobre as outras penduradas num pesado cabide, simbolizando apenas um momento que eu vivi.

Estou há algumas semanas de realizar uma cirurgia bariátrica, e para que eu tenha a certeza de que eu estou fazendo isso por mim mesma, a fim de não engordar de novo, repetindo o erro da última vez, resolvi ir até as últimas conseqüências em me conhecer, saber quem eu sou, prestar atenção no que compro, no que como, nas opiniões que dou. Ta bom, eu sou doida, assumo isso, mas pelo menos estou tentando fazer alguma coisa pela minha felicidade, e me conectando a mim mesma. Procuro resgatar alguns acontecimentos, afinal de contas não tem aquele ditado, ou dizer, como queiram, que fala que pra não repetirmos os mesmos erros deveríamos estudar a nossa história. Tudo bem que foram historiadores que disseram isso, e que eu não sou nenhum país, mas vamos combinar que o interior de uma pessoa deve ser tão complexo, senão mais, do que a história de um país inteiro.

Mas hoje eu percebi um fato curioso sobre mim, eu que sempre tive o impulso de fazer altas faxinas no meu guarda-roupas e dar para doação sacolas e sacolas de roupas, pensei diferente . Simplesmente olhei para tudo com carinho, peça por peça, relembrei momentos, e decidi que não se tratava de sair esvaziando o armário. Ele é a minha história e eu não posso simplesmente sair distribuindo capítulos por aí.

Pela primeira vez, acho em anos, mas de 30 anos, eu não fui precipitada comigo. Agora não é a hora. Vai chegar o momento em que vou me sentir segura para saber o que fazer. Por enquanto, vou manter tudo organizado, arrumado com carinho e procurar visita-lo com mais frequência. Afinal de contas, como saber o que fazer se nem sabemos o que estamos sentindo?

Agora se trata do que eu gostaria muito de fazer da vida, e não de tudo que eu tenho capacidade para fazer. E quer saber, meus livros estão todos na estante. O futuro estava a portas abertas, eu é que demorei para ver.


AH! Ja faz 3 meses que operei o estômago e tenho mexido muito nomeu guarda-roupa, revisitando peças do passado e doando varias calças de numeros que nunca maisvou usar! rs tudo tem seu momento,...rs